Sábado, 30 de Dezembro de 2006

o Baltasar, já não mora na barraca ao lado da igreja

era vespera da vespera de natal e como esse ano calhou num sábado já era natal, natal para toda gente, menos para mim.

no natal os amigos deixam de existir estão todos em familia, não dá pra sair e beber uns copos, os bares estão todos fechados, apesar de ser  feriado, alguem conhece algum bar judeu em lisboa? bar mitzvah? tá bem, deixa pra lá! (até é um nome engraçado para um bar)

natal pra mim é dia de faxina!

dia de jogar tralha fora, dia de preparar o ano novo, jogando o que não presta fora.

natal pra mim é dia de ouvir músicas de natal ...dos vizinhos! 

é dia de ouvir o " se não nos virmos mais, desde já um feliz natal pra si e para todos os seus" de alguem que não sabe se eu sou casado, filho único e  orfão e por isso até não existir  os "todos os seus"

natal pra mim é a comemoração do egoísmo!

dia das pessoas darem o que não deram o ano todo, aproveitarem o nascimento dDele para por mais um preguinho na cruz, quando eEle for expiar pelo nosso egoísmo.

esse ano nem posso comemorar o egoísmo,  agora que acabaram com as barracas ao fundo da rua, já não os posso presentear com a tralha que jogo fora e ponho junto aos contentores de lixo perto das barracas e logo esse ano que estava a pensar por uns enfeites no verde arvore de natal dos caixotes de lixo.

parece que a camara presenteou os barracados com habitações  condignas a um ser humano, apesar de não ser nada digno a camara  permitir  ao construtor, construir "dignamente" mais predios do que é permitido por lei, aonde haviam as barracas sem dignidade, até parece que aquele terreno está condenado a nunca ser digno, apesar de haver uma igreja católica mesmo ao lado, foram todos cúmplices nas contrapartidas recebidas do construtor , a camara que ofereceu casas como se fossem suas e a igreja que ficou com um terreno maior e vedado e sabe lá quanto mais coube na caixa das esmolas.

aos barracados calhou lhes a sorte de terem nascido numa época em que se oferecem casas  ao invés de serem queimados na fogueira, teem é azar porque a falta do fogo purificador, não lhes purifica uma vida de miséria que em 30 anos de barracas os tornou miseráveis, apesar de de miseráveis terem sempre sido, desde o início,  quando aceitaram 30 anos sem nada fazerem  para mudar a sua condição de miseria.

miseraveis ao aceitarem uma casa da camara, condenando-se e condenados a uma vida, agora eterna, de miséria,  ao continuar a não ter que pagar  o teto que dormem, tudo permanece igual, só a morada é que muda!

porque que a casa nova não tem ar condicionado? a outra é muito mais arejada!

faz me lembrar a história da familia muito pobre cujo seu unico sustento era a vaca que possuia, não dava para muita coisa mas do leite vendido, dava para sustentar parcamente a numerosa familia.

um dia o sábio ao passar a porta da casa da tal familia, o seu discipulo lhe contou a historia da vaca que sustentava a pobre familia a já longos anos...

- mande a vaca, ribanceira abaixo!

-mas mestre,assim a vaca morrrerá e certamente irá acontecer o mesmo, a pobre familia.

- faça o e não descuta!

o discipulo mais por medo do que por crença, cumpriu as ordens do sábio.

passados uns anos, o sábio, ao passar por aquela aldeia, levou o seu discipulo a casa da familia pobre, qual foi o espanto do discipulo quando viu que a familia outrora pobre, agora prosperava e pior que São Tomé além de ver para  crer ainda foi perguntar o porque

- quando a nossa vaca morreu, tivemos que arranjar uma solução, não foi fácil, eram já muitos anos a viver do leite e nos contentavamos com isso, a minha filha mais velha começou a vender uns bordados na feira, o irmão que a acompanhava de início, achou que os cestos que levavam os bordados, tambem podiam ser vendidos e hoje em dia todas as mulheres cá de casa fazem bordados para vender e nós homens, fazemos cestos . foi a mão de Deus que empurrou a vaca ribanceira abaixo!

Mora da História do Sábio:

Se o discipulo tivesse empurrado o sábio ribanceira abaixo, já era sábio por essa altura!

voltando a história das barracas....

não me parece que aquele que aceitou uma barraca durante 30 anos, vá lutar agora por alguma coisa, quanto muito vai lutar pelo aumento do subsidio de reinserção social para poder mobilar a casa, agora que não tem os meus moveis velhos, para o fazer .mas tenho a esperança  que os seus filhos e mais provavelmente os seus netos, consigam vingar por seus proprios meios, até porque nós, sendo um produto do meio, eles assim já terão mais meios ou um melhor meio.

Moral da História das Barracas:

Sendo nós um produto do meio e se os meios justificam-se os fins, quem sou eu para condenar o construtor, a igreja ou a camara? até porque a virtude tambem está no meio e no meio do corpo do homem está o seu umbigo, apendice egoista durante 9 meses e agora desligado da sua mãe,  transformado num pequeno poço sem fundo

 

....agora, faz me outro!


publicado por fazmeumblogue às 22:14
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1 comentário:
De lady.bug a 1 de Janeiro de 2007 às 11:47
Rais parta o espírito natalício... que de natalício pouco tem e que de espírito... olha de espírito não tem nada também.
Rendo-me ao consumismo!


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